Mostrando postagens com marcador Aluno. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aluno. Mostrar todas as postagens

[De olho na escrita #1] Dicas para escrever bem

quarta-feira, 19 de março de 2014

Hoje está iniciando uma nova sessão do blog: De olho na escrita.

Quinzenalmente, publicaremos diversas dicas para escrever uma boa redação. Não queremos aqui que o leitor decore regras e padronize o seu texto. Acreditamos que a escrita é o resultado de um processo de ensino e, assim como a leitura, é um hábito que só pode ser considerado eficaz se realizado com prazer.

Queremos, com essa sessão, que o leitor encontre informações que o ajude a melhorar a sua escrita e a conduzir melhor o seu raciocínio.

.

Portrait of woman writing letter at desk

 .

As orientações abaixo, encontradas em sites sobre linguagem, são uma forma divertida de como escrever bem. O autor é desconhecido.

.

DICAS PARA ESCREVER BEM

.
 
1. Vc. deve evitar ao máx. abrev., etc.
2. Desnecessário faz-se empregar estilo de escrita demasiadamente rebuscado, segundo deve ser do conhecimento inexorável dos copidesques. Tal prática advém de esmero excessivo que beira o exibicionismo narcisístico.
3. Anule aliterações altamente abusivas.
4. "não esqueça das maiúsculas", como dizia dona loreta, minha professora lá no colégio alexandre de gusmão, no ipiranga.
5. Evite lugares-comuns assim como o diabo foge da cruz.
6. O uso de parênteses (mesmo quando for relevante) é desnecessário.
7. Estrangeirismos estão out; palavras de origem portuguesa estão in.
8. Chute o balde no emprego de gíria, mesmo que sejam maneiríssimas, tá ligado na fita, mano? Não rola!
9. Palavras de baixo calão podem transformar sua droga de texto numa merda.
10. Nunca generalize: generalizar, em todas as situações, sempre é um erro.
11. Evite repetir a mesma palavra, pois essa palavra vai ficar uma palavra repetitiva. A repetição da palavra vai fazer com que a palavra repetida desqualifique o texto onde a palavra se encontra repetida.
12. Não abuse das citações. Como costuma dizer meu amigo: "Quem cita os outros não tem ideias próprias".
13. Frases incompletas podem causar.
14. Não seja redundante, não é preciso dizer a mesma coisa de formas diferentes; isto é, basta mencionar cada argumento uma só vez. Em outras palavras, não fique repetindo a mesma ideia.
15. Seja mais ou menos específico.
16. Frases com apenas uma palavra? Jamais!
17. A voz passiva deve ser evitada.
18. Use a pontuação corretamente o ponto e a vírgula especialmente será que ninguém sabe mais usar o sinal de interrogação
19. Quem precisa de perguntas retóricas?
20. Conforme recomenda a A.G.O.P, nunca use siglas desconhecidas.
21. Exagerar é cem bilhões de vezes pior do que a moderação.
22. Evite mesóclises. Repita comigo: mesóclises: evitá-las-ei!"
23. Analogias na escrita são tão úteis quanto chifres numa galinha.
24. Não abuse das exclamações! Nunca! Seu texto fica horrível!
25. Evite frases exageradamente longas, pois estas dificultam a compreensão da ideia contida nelas, e, concomitantemente, por conterem mais de uma ideia central, o que nem sempre torna o seu conteúdo acessível, forçando, desta forma, o pobre leitor a separá-la em seus componentes diversos, de forma a torná-las compreensíveis, o que não deveria ser, afinal de contas, parte do processo da leitura, hábito que devemos estimular através do uso de frases mais curtas.
26. Seja incisivo e coerente, ou não.
27. Cuidado com a hortografia, para não estrupar a língüa portuguêza, procure uzar mais o seu célebro.

.

Gostaram das dicas? Até o próximo De olho na escrita!

Alphonsus de Guimaraens: o solitário de Mariana

terça-feira, 24 de julho de 2012

Afonso Henrique da Costa Guimarães nasceu em 24 de julho de 1870, na cidade de Ouro Preto, estado de Minas Gerais. Toda sua vida esteve ligada a sua cidade natal e região, sendo conhecido como "Solitário de Mariana", e passando a assinar Alphonsus de Guimaraens, em 1894.


.




[caption id="" align="aligncenter" width="180"] o poeta Alphonsus de Guimaraens[/caption]

.

Um fato marcante em sua vida foi a perda prematura da prima e noiva Constança (uma das filhas de Bernardo Guimarães), vitimada pela tuberculose aos dezessete anos.  A morte de Constança, em 1888, marcou profundamente sua vida e sua obra, cujos versos, melancólicos e musicais, são repletos de anjos, serafins, cores roxas e virgens mortas. É comum encontrarmos em suas obras, várias citações sobre este fato. Como exemplo, podemos citar o soneto Hão de chorar por ela os cinamomos, onde encontra-se:


,




As estrelas dirão — "Ai! nada somos,
Pois ela se morreu silente e fria.. . "
E pondo os olhos nela como pomos,
Hão de chorar a irmã que lhes sorria.




;


No Rio de Janeiro em 1895, conheceu Cruz e Sousa. Poeta do qual já admirava e tornou-se amigo pessoal. Posteriormente, no ano de 1899, estreou na literatura com dois volumes de versos: Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara Ardente e Dona Mística, ambos de nítida inspiração simbolista. Em 1900 passou a exercer a função de jornalista colaborando em "A Gazeta", de São Paulo, ao mesmo tempo em que cursava a Faculdade de Direito. Em 1902 publicou Kyriale, esta obra o projetou no universo literário, obtendo assim um reconhecimento, ainda que restrito de alguns raros críticos e amigos mais próximos. Em 1903, teve seu cargo de juiz-substituto em Conceição do Serro suprimido, fato que o levou a graves dificuldades financeiras.


Após recusar um posto de destaque em "A Gazeta", Alphonsus de Guimaraens foi nomeado para a direção do jornal político de Conceição do Serro, onde também colaboraria seu irmão Archangelus de Guimaraens, Cruz e Souza e José Severino de Resende. Em 1906, tornou-se Juiz Municipal de Mariana (cidade vizinha a Ouro Preto) cargo que exerceria pelo resto de sua vida pacata.


Viveu seus últimos anos na obscuridade ao lado de sua esposa Zenaide de Oliveira, com quem teve 14 filhos. Ocasionalmente recebia a visita de poucos amigos e admiradores, até sua morte em 15 de Julho de 1921, na cidade de Mariana.


Alphonsus de Guimaraens foi essencialmente, um poeta místico de obra profundamente embasada na espiritualidade humana. A religiosidade que pautava vários autores de sua época, surgia em versos simples, pausados e intimistas de sua obra, porém, sempre sublimes e musicais. Em toda sua trajetória literária, é translúcido o sofrimento que pontuava sua existência, por vezes soava até mesmo como uma convenção poética. Mas sabe-se que nem o casamento, nem a vida pacata em Mariana, atenuava o sofrimento perene dado pela ausência de Constança.


Alphonsus de Guimaraens inseriu em suas poesias um certo tom mórbido e misterioso, onde a morte da mulher amada é um fator intimamente presente em suas estrofes. Pode-se encontrar com facilidade referências às cores roxa e negra, ao corpo morto, ao esquife etc. Essas características foram herdadas dos ultrarromânticos. Ainda quando compõe sobre a natureza, a arte e a religião, Alphonsus frequentemente insere citações mortuárias.


.


Um dos poemas mais conhecidos de Alphonsus de Guimaraens é o poema Ismália:


.



Ismália
                                                                                                                Fonte: Jornal de Poesia

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava longe do céu...
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar. . .
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma, subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

.

.


.

.

Na cidade natal de Alphonsus de Guimaraens, existe um museu que reúne o acervo do poeta, o Museu Casa Alphonsus de Guimaraens. Para conhecê-lo, clique aqui.


.

Para conhecer os textos desse poeta, você pode fazer download no site do Domínio Público.


.

Basílio da Gama e O Uraguai

domingo, 22 de julho de 2012

 Hoje comemora-se o aniversário de 272 anos de um importante escritor brasileiro: Basílio da Gama. Conhecido poeta árcade brasileiro, Basílio da Gama é autor de um também conhecido poema épico: O Uraguai.


,




[caption id="" align="aligncenter" width="157"] Basílio da Gama (1740 - 1795)[/caption]

,

,

José Basílio da Gama nasceu no dia 22 de julho de 1740 em São José do Rio das Mortes, atual cidade de Tiradentes, em Minas Gerais. Era filho de Manuel da Costa Vilas-Boas, fazendeiro abastado, e de Quitéria Inácia da Gama. Seu pai morreu no início de sua infância, acarretando diversas situações difíceis para a família. Assim, foi necessária a presença de um protetor, o brigadeiro Alpoim, que ficou responsável pela ida do autor para o Rio de Janeiro e o ingresso no colégio dos jesuítas, onde faria o noviciado para professar na Companhia de Jesus.


Com a expulsão dos jesuítas, em 1759, os que não eram professos podiam voltar à vida secular, pela qual optou Basílio da Gama, que prosseguiu seus estudos, provavelmente no Seminário São José.


Viajou depois pela Itália e Portugal, de 1760 a 67. Em Roma, foi recebido na Arcádia Romana sob o nome de Termindo Sipílio, com a proteção dos jesuítas, que teriam emendado os versos acadêmicos do poeta principiante e sem nenhuma produção de vulto.


Em 30 de junho de 1768, estava de viagem para Lisboa, a bordo da nau Senhora da Penha de França, com o objetivo de matricular-se na Universidade de Coimbra. Lá chegando, foi preso e condenado ao degredo para Angola, como suspeito de ser partidário dos jesuítas. Do desterro a que estava sentenciado salvou-o o Epitalâmio que escreveu às núpcias de D. Maria Amália, filha de Pombal. Este simpatizou com o poeta, perdoou-o e, depois de lhe conceder carta de nobreza e fidalguia, deu-lhe o lugar de oficial da Secretaria do Reino. Basílio identificou-se, desde então, com a política pombalina. Para conciliar as graças de Pombal, compôs o Uraguai, publicado em 1769 na Régia Oficina Tipográfica, de Lisboa. A queda de Pombal, em 1777, não lhe alterou a posição burocrática.


Ao final de sua vida, foi admitido na Academia das Ciências de Lisboa e publicou o poema Quitúbia (1791) e, ainda, traduções e alguns versos de circunstância.


Faleceu em Lisboa, Portugal, em 31 de julho de 1795.


É o patrono da Cadeira n. 4 da Academia Brasileira de Letras.


.


Obras: Epitalâmio às núpcias da Sra. D. Maria Amália e O Uraguai (1769); A declamação trágica (1772), poema dedicado às belas artes; Os Campos Elíseos (1776); Relação abreviada da República e Lenitivo da saudade (1788); Quitúbia (1791); A declamação trágica (1820).


.


.



O Uraguai (1769)


.



.

.

O Uraguai  é um poema épico escrito em versos decassílabos brancos. (Versos decassílabos = 10 sílabas poéticas. Versos Brancos = versos que não possuem rimas). O texto trata da expedição de portugueses e espanhóis contra as missões jesuíticas do Rio Grande, para executar as cláusulas do Tratado de Madri em 1750. Pelo tratado, as terras ocupadas pelos jesuítas, no Uruguai, deveriam passar da Espanha a Portugal. Os portugueses ficariam com Sete Povos das Missões e os espanhóis, com a Colônia do Sacramento. Sete Povos era habitada por índios e dirigida por jesuítas, que organizaram a resistência à pretensão dos portugueses.


Basílio da Gama também possuía o objetivo de descrever o conflito entre o ordenamento racional da Europa e o primitivismo do índio. O escritor mostra simpatia pelo índio vencido enquanto transfere o ataque aos jesuítas.


O poema narra o que foi a luta pela posse da terra, travada em princípios de 1757, valorizando os feitos do General Gomes Freire de Andrade e exaltando o Marquês do Pombal.


.


.



A morte de Lindóia


.

[caption id="" align="aligncenter" width="560"] Lindóia (1882), de José Maria de Medeiros[/caption]

.

.

Um dos episódios mais líricos da Literatura Brasileira, a morte de Lindóia é um texto que trabalho bastante em sala de aula. É o momento em que a índia Lindóia prefere morrer a casar-se com o inimigo, deixando-se picar por uma serpente.


.


Os índios já haviam perdido a guerra e, reunidos na tribo, preparavam-se para a cerimônia de casamento de Lindóia com Baldeta (filho sacrílego do jesuíta Balda), que tem garantido o papel de chefe da tribo. Lindóia, contudo, não está interessada no casamento. Inconformada com a morte de seu marido Cacambo, ela se retira da tribo, desgostosa, e entra na floresta. Seu irmão Caitutu e outros índios vão procurá-la.


.
Entram enfim na mais remota e interna

Parte de antigo bosque, escuro e negro,

Onde ao pé de uma lapa cavernosa

Cobre uma rouca fonte, que murmura,

Curva latada de jasmins e rosas.

Este lugar delicioso, e triste,

Cansada de viver, tinha escolhido

Para morrer a mísera Lindóia.

Lá reclinada, como que dormia,

Na branda relva, e nas mimosas flores,

Tinha a face na mão, e a mão no tronco

De um fúnebre cipreste, que espalhava

Melancólica sombra. Mais de perto

Descobrem que se enrola no seu corpo

Verde serpente, e lhe passeia, e cinge

Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.

Fogem de a ver assim sobressaltados,

E param cheios de temor ao longe;

E nem se atrevem a chamá-la, e temem

Que desperte assustada, e irrite o monstro,

E fuja, e apresse no fugir a morte.

Porém o destro Caitutu, que treme

Do perigo da irmã, sem mais demora

Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes

Soltar o tiro, e vacilou três vezes

Entre a ira e o temor. Enfim sacode

O arco, e faz voar a aguda seta,

Que toca o peito de Lindóia, e fere

A serpente na testa, e a boca, e os dentes

Deixou cravados no vizinho tronco.

Açouta o campo co'a ligeira cauda

O irado monstro, e em tortuosos giros

Se enrosca no cipreste, e verte envolto

Em negro sangue o lívido veneno.

Leva nos braços a infeliz Lindóia

O desgraçado irmão, que ao despertá-la

Conhece, com que dor! no frio rosto

Os sinais do veneno, e vê ferido

Pelo dente sutil o brando peito.

Os olhos, em que Amor reinava, um dia,

Cheios de morte; e muda aquela língua,

Que ao surdo vento, e aos ecos tantas vezes

Contou a larga história de seus males.

Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,

E rompe em profundíssimos suspiros,

Lendo na testa da fronteira gruta

De sua mão já trêmula gravado

O alheio crime, e a voluntária morte.

E por todas as partes repetido

O suspirado nome de Cacambo.

Inda conserva o pálido semblante

Um não sei quê de magoado, e triste,

Que os corações mais duros enternece.

Tanto era bela no seu rosto a morte!

Basílio da Gama Apud Moisés, Massaud. A literatura brasileira através dos textos. 5. ed.


São Paulo, Cultrix, 1977. p. 94-95



.


.


Perfil do escritor no sítio da Academia Brasileira de Letras.


Obra de Basílio da Gama no sítio da Brasiliana Digital.


Para saber um pouco mais sobre Arcadismo Brasileiro, clique aqui.


.


.




[Slides #4] O Trovadorismo português

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Estou trabalhando o período literário do Trovadorismo com os meus 1ºs anos e como estamos bastante atrasados com o conteúdo por diversos problemas ocorridos na escola durante este ano, resolvi fazer alguns slides para agilizar as aulas. A ideia é trabalhar os slides em sala de aula, deixá-los disponível para os alunos fazerem o download e solicitar atividades a partir do conteúdo dos slides.


Esses são os slides utilizados na aula sobre O Trovadorismo português em que são trabalhados o contexto histórico, social e econômico e as características literárias do período. Além disso, são inseridas algumas letras de músicas atuais para que se possa fazer uma comparação com as cantigas medievais.


Esses slides não são originalmente meus. Eu os encontrei na internet, adaptei-os, acrescentei imagens e outras informações. Acredito que o resultado seja um bom material de consulta.


.


.


[slideshare id=13579155&doc=trovadorismo1-120708211601-phpapp01]


.

.

Beijinhos,


Ana Karina

[Slides #3] A poesia romântica brasileira

terça-feira, 10 de julho de 2012

Como estou trabalhando o período literário do Romantismo com os meus 2ºs anos e, infelizmente, estamos bastante atrasados com o conteúdo por diversos problemas ocorridos na escola durante este ano, resolvi fazer alguns slides para agilizar as aulas. A ideia é trabalhar os slides em sala de aula, deixá-los disponível para os alunos fazerem o download e solicitar atividades a partir do conteúdo dos slides.


Esses são os slides utilizados na aula sobre A poesia romântica brasileira em que eu comento sobre as três gerações da poesia romântica. Esses slides não são originalmente meus. Eu os encontrei na internet, adaptei-os, acrescentei imagens e outras informações. Acredito que o resultado seja um bom material de consulta.


.


.


[slideshare id=13577604&doc=geraesromnticasnobrasil-120708155135-phpapp01]


.

.

Beijinhos,


Ana Karina

[Slides #2] O Pré-Modernismo

sábado, 30 de junho de 2012

Querida turma 301!


.


Esses são os slides utilizados na aula sobre Pré-Modernismo no Brasil. Deixo disponível para quem quiser fazer download do arquivo e utilizá-lo como material de consulta.


.


.


[slideshare id=13505329&doc=prmodernismo-120630201638-phpapp02]


.

Espero que façam bom proveito desses slides e que eles ajudem nos estudos, ok? Na próxima aula, analisaremos trechos das obras de alguns dos escritores mencionados.

.

Beijinhos,


Ana Karina

[Slides #1] Romantismo: contexto histórico e autores principais

Caríssimos!


.


Esses são os slides utilizados na aula sobre Romantismo. Deixo disponível para quem quiser fazer download do arquivo e utilizá-lo como material de consulta.


.


.


 [slideshare id=13505233&w=425&h=355&sc=no]

.

O final é apenas uma piadinha, ok? Espero que façam bom proveito desses slides e que eles ajudem nos estudos, né?

.

Beijinhos,


Ana Karina

DIA MUNDIAL DO TEATRO - 27 de Março

terça-feira, 27 de março de 2012


O Dia Mundial do Teatro, criado em 1961 pelo Instituto Internacional do Teatro, é celebrado todos o anos, a 27 de Março, pelos centros nacionais do Instituto Internacional do Teatro e pela comunidade teatral internacional. São organizadas numerosas manifestações teatrais nesta ocasião, sendo uma das mais importantes, a difusão da mensagem internacional, tradicionalmente redigida por uma personalidade do Teatro, de renome mundial, a convite do Instituto Internacional do Teatro.


O International Theatre Institute (ITI), uma organização não governamental, foi fundado em Praga no ano de 1948 pela UNESCO e pela comunidade internacional do teatro.


 

Origem do teatro

 

A origem do teatro pode ser remontada desde as primeiras sociedades primitivas, em que se acreditava no uso de danças imitativas como propiciadores de poderes sobrenaturais que controlavam todos os fatos necessários à sobrevivência (fertilidade da terra, casa, sucesso nas batalhas, etc). Essas danças também possuíam um caráter de exorcização dos maus espíritos. O teatro, portanto, em suas origens tinha um caráter ritualístico.


Com o domínio e o conhecimento do homem em relação aos fenômenos naturais, o teatro vai deixando suas características ritualistas, dando lugar às características mais educacionais. Ainda num estágio de maior desenvolvimento, o teatro passou a ser o lugar de representação de lendas relacionadas aos deuses e heróis.


Na Grécia antiga, os festivais anuais em honra ao deus Dionísio (Baco, para os latinos) compreendiam, entre seus eventos, a representação de tragédias e comédias. As primeiras formas dramáticas na Grécia surgiram neste contexto.


A hipótese mais difundida quanto à origem da tragédia estaria ligada ao caráter religioso e ao que Aristóteles nos afirma na Poética. Segundo ele, a tragédia teria nascido de improvisos, teria a sua origem em formas líricas como o ditirambo.


Este gênero, dito por alguns estudiosos “semi-literário” – pois nasceu de forma improvisada e posteriormente foi escrito – surgiu no século VII a.C. na região de Corinto e de Sícion e era formado por danças e cantos em honra ao deus Dioniso. Foi criado por Archílocus mas foi Árion de Lesbos, que viveu por volta de600 a.C. na corte do tirano Periandro de Corinto, quem instituiu algumas modificações: deu forma literária ao que era improvisado; deu figurino aos integrantes, vestindo-os como sátiros; definiu o número de participantes em 50 coreutas; intercalou colóquios entre os coreutas e o corifeu (uma espécie de chefe do coro) e alterou a forma de procissional para circular.


A tragédia grega, mesmo após vários séculos ainda é bastante lida, comentada e encenada devido à amplitude de sua significação e à riqueza do pensamento que os grandes tragediógrafos souberam dar-lhe: a tragédia grega apresentava uma reflexão sobre o homem. Em todas as épocas de crise na história da humanidade, percebe-se a necessidade de um retorno a esses mitos antigos tratados nas apresentações do teatro ateniense, a fim de que esses possam ser ressignificados e adequados às questões do homem contemporâneo, daí as diversas recriações dos gregos, seus temas e personagens: ainda se escrevem Electras, Antígonas e Medéias.


O desenvolvimento do gênero teatral

Psístrato, o sagaz tirano de Atenas que promoveu o comércio e as artes e foi o fundador das Panatenéias e das Grandes Dionisíacas, esforçou-se para emprestar esplendor a essas festividades públicas. Em 534 a.C., trouxe da Icária para Atenas o coreuta ditirâmbico Téspis, e ordenou que ele participasse da Grande Dionisíaca. Téspis teve uma nova e criativa idéia que faria história. Ele se colocou à parte do coro como solista e em vez de narrar os acontecimentos das personagens, agiu como um deles, criando o papel do hypokrites (“respondedor” e, mais tarde, ator), que apresentava o espetáculo e se envolvia num diálogo com o condutor do coro. Essa denominação hypokrites ressalta a importância que possuirá o coro com o desenvolvimento do gênero: o ator responde ao coro. O coro será a personagem principal numa época em que a pólis está para ser formada. A coletividade é mais importante que o indivíduo e é representada pelo coro.


Essa inovação, primeiramente não mais do que um embrião dentro do rito do sacrifício, se desenvolveria mais tarde na tragédia, etimologicamente, tragos (bode) e ode (canto).


Entre a primeira apresentação de Téspis e o primeiro êxito teatral de Ésquilo passaram-se sessenta anos. Foram anos de violentas disputas políticas que puseram um fim ao domínio dos tiranos, levaram à intervenção dos guerreiros de Maratona na formulação dos assuntos públicos e, com Clístenes, à fundação da República de Atenas. Porém, indepententemente das revoltas políticas, a nova forma de arte da tragédia ganhou terreno, aperfeiçoou-se e se tornou a matéria de uma competição teatral (agon) nas Dionisíacas.


Com o desenvolvimento do gênero teatral, que praticamente tornou-se o gênero literário mais importante na Grécia durante o séc. V a.C., as Grandes Dionísicas atraem um público cada vez maior. É a própria cidade, Atenas, que se reúne em peso para assistir anualmente, em um momento especial do calendário religioso, tragédias e comédias. É portanto para a pólis que as peças serão direcionadas. Mas não só. Aos poucos, estrangeiros também participarão, muitos vindos de outras cidades gregas, mas outros vindos mesmo de outros países, exclusivamente para assistir as representações teatrais. O teatro ateniense passa a ser cada vez mais o rosto mais atrativo que a cidade mostra de si mesma, símbolo de sua importância cultural diante de seus vizinhos e de certa forma, parte da política hegemônica ateniense na área do Mediterrâneo oriental a partir das vitórias contra as invasões persas.


Portanto o teatro trágico grego tem uma dupla ambientação: religiosa, por um lado, já que se insere no calendário festivo-religioso, mas conjuntamente, política, pois é também uma festa estatal. Cabe a cidade, a pólis, se incumbir dos preparativos para a sua realização.


O apogeu da tragédia ática coincidiu com a hegemonia ateniense e com a Guerra do Peloponeso; a época dos grandes trágicos só terminou por volta de400 a.C., pouco depois da apresentação de obras póstumas de Sófocles e Eurípedes. O teatro trágico do século IV e do século III a.C. foi dominado por reapresentações das obras de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, e também pela obra dos outros trágicos citados por Aristóteles, mas que não conhecemos.


Os tragediógrafos

Tépsis foi o primeiro tragediógrafo a vencer o concurso celebrado pelo imperador Psístrato, no entanto, sua obra não chegou até nós. Ésquilo foi o nome que ficou historicamente registrado como o primeiro grande tragediógrafo. É a Ésquilo que a tragédia grega antiga deve a perfeição artística e formal, que permaneceria um padrão para todo o futuro. Seu pai pertencia à nobreza proprietária de terras de Elêusis e Ésquilo, portanto, tinha acesso direto à vida cultural de Atenas. Em 490 a.C. participou da batalha de Maratona, e foi um dos que abraçou apaixonadamente o conceito democrático da pólis. Segundo alguns historiadores, sua lápide honra a bravura dele na batalha, mas nada diz respeito de seus méritos como dramaturgo.


Ésquilo ganhou os louros da vitória na agon teatral somente após diversas tentativas. Sabe-se que ele começou a competir na Grande Dionisíaca em 500 a.C. com tetralogias, a unidade obrigatória de três tragédias e uma peça satírica concludente. Toda a sua obra anterior a 472 a.C., quando Os Persas foi encenada pela primeira vez, está perdida. De acordo com cronistas antigos, Ésquilo escreveu ao todo noventa tragédias; destas, setenta e novo títulos chegaram até nós, mas dentre eles conservaram-se apenas sete peças.


Quatro anos depois de ter ganhado o prêmio com Os Persas, Ésquilo enfrentou pela primeira vez, no concurso anual de tragédias, um rival cuja fama estava crescendo: Sófocles, então com vinte e nove anos de idade, filho de uma rica família ateniense. Sófocles foi convidado, aos 15 anos de idade, a conduzir o coro de adolescentes no cortejo à vitória da batalha de Salamina.


Os dois rivais inscreveram suas tetralogias para a Dionisíaca de468 a.C. Ambas foram aceitas e apresentadas. Ésquilo obteve o segundo lugar enquanto que o prêmio coube a Sófocles, trinta anos mais novo.


Sófocles aperfeiçoou os cenários pintados móveis ou periactos (prismas giratórios). Naquela época, a cenografia representava a fachada de palácios, templos ou, ainda, acampamentos guerreiros. O cenário era pintado. Sófocles tornou-o móvel, cada face do prisma representava um desses espaços. Além dessas modificações, Sófocles rompe com o uso de trilogias, dando maior dinâmica ao enredo.


Sófocles ganhou dezoito prêmios dramáticos. Dos cento e vinte três dramas que escreveu, e que até o século II a.C. ainda se conservavam na Biblioteca de Alexandria, conhecemos cento e onze títulos, mas apenas sete tragédias e os restos de uma sátira chegaram até nós.


Com Eurípides teve início o teatro psicológico do Ocidente. “Eu represento os homens como devem ser, Eurípides os representa como eles são”, Sófocles disse uma vez. O terceiro dos grandes poetas trágicos da Antiguidade partiu de um nível inteiramente novo de conflito. Ele exemplificou o dito de Protágoras a respeito do “homem como a medida de todas as coisas”.


Eurípides, filho de um proprietário de terras, nasceu em Salamina e foi instruído pelos sofistas de Atenas. “Ele era um cético que duvidava da existência da verdade absoluta, e como tal se opunha a qualquer idealismo paliativo”. Estava interessado nas contradições e ambiguidades, no princípio da decepção, na relativização dos valores éticos. O pronunciamento divino não era a verdade absoluta para ele e não lhe oferecia nenhuma solução conciliatória.


Em contradição com a doutrina socrática de que o conhecimento é expresso diretamente na ação, Eurípides concede a suas personagens o direito de hesitar, de duvidar. Descortina toda a extensão dos instintos e paixões, das intrigas e conspirações. Sua minuciosa exploração dos pontos fracos na tradição mitológica lhe valeu agudas críticas de seus contemporâneos. Acusaram-no de ateísmo e da perversão sofista dos conceitos morais e éticos.


De suas setenta e oito tragédias, das quais restam dezessete e uma sátira, apenas quatro lhe valeram um prêmio enquanto estava vivo.





Referência:

BERTHOLD. Margot. História mundial do teatro. São Paulo: Perspectiva, 2004.

[caption id="" align="aligncenter" width="432" caption="ruínas do teatro grego de Epidauro"][/caption]

[caption id="" align="aligncenter" width="560" caption="Oresteia"][/caption]