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[Resenha] O lado bom da vida - Matthew Quick

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014


Sim, eu realmente acredito no lado bom das coisas, principalmente porque eu o tenho visto quase todos os dias quando saio do porão, enfio a cabeça e os braços em um saco de lixo – de modo que meu torso fique embalado em plástico e eu sue mais – e então corro. (...)
Enquanto corro pelo parque, olho para cima e adivinho o que o dia tem a oferecer.
Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e me lembro de continuar tentando, porque eu sei que, embora as coisas possam parecer sombrias agora, minha esposa logo voltará para mim. (pág. 20)



O lado bom da vida (2012) é um desses livros que fiz o contrário: eu o li após assistir à adaptação cinematográfica da obra. Eu realmente não conhecia o escritor Mathew Quick, nunca tinha sequer escutado o seu nome. Aí que um dia eu me deparei com o título na livraria e o comprei.




[caption id="attachment_1409" align="aligncenter" width="401"]ladobom1_zps8e535169 O filme é estrelado por Bradley Cooper, como Pat, e Jennifer Lawrence, como Tiffany.[/caption]

A história é narrada por Pat Peoples, um homem por volta dos 30 anos, que ficou internado em uma instituição psiquiátrica e, após a sua mãe ter conseguido a liberação para terminar o tratamento em casa, Pat volta a morar com seus pais. O motivo da internação e o tempo em que ficou no “lugar ruim”, expressão usada pelo narrador para designar o hospital psiquiátrico, não são esclarecidos inicialmente no texto. Na verdade, Pat não lembra e é a tentativa de reconstruir sua vida, recompor sua memória e superar os seus problemas que o leitor acompanha no decorrer do romance.


A teoria de Pat é a de que a sua vida funciona como um filme produzido por Deus e o seu final feliz será a reconciliação com a sua esposa Nikki. A partir dessa ideia, Pat esforça-se para ver o mundo com outros olhos, em ver o que há de bom em todas as coisas, em ver o lado bom da vida.


Então, seguindo o seu raciocínio um pouco confuso devido às medicações e à nova percepção das coisas, Pat preocupa-se em melhorar fisicamente: ele é praticamente viciado em exercícios físicos, corre diariamente 17 quilômetros e faz dez horas de exercícios diários em equipamentos de ginástica dados por sua mãe; e mentalmente: começa a fazer a leitura obrigatória das obras das disciplinas ministradas por Nikki, professora de Literatura Norte-Americana. Pat acredita que, realizando todas essas atividades, será uma pessoa melhor e atrairá novamente a atenção da esposa, resultando no término do “tempo separados”.


Em meio a todas essas ocupações diárias, Pat relaciona-se com a sua família. Sua mãe, Jeanie, tenta compreender as dificuldades de seu filho e o ajuda comprando roupas, cozinhando seus pratos preferidos, levando-o à consulta semanal com o seu novo psiquiatra, dr. Cliff Patel.




Minha mãe assiste ao jogo nervosa, como sempre, porque ela sabe que, se os Eagles perderem, meu pai vai ficar de mau humor uma semana inteira e vai gritar muito com ela (...) Olho para meu pai de vez em quando, certificando-me de que ele me veja torcendo, porque sei que ele só está disposto a se sentar na mesma sala que o filho mentalmente perturbado se eu estiver torcendo pelos Birds com todas as minhas forças. Devo admitir que é bom estar sentado na mesma sala que meu pai (...) (pág. 68)



A relação de Pat com o seu pai é bastante complicada. O pai, Patrick, é um senhor de meia idade fanático pelo seu time de futebol americano, os Eagles, e bastante supersticioso. Patrick demora a conseguir realmente dialogar com Pat, provavelmente porque não sabe como agir nessas situações. É um homem simples, meio turrão, mas tenta auxiliar seu filho à sua maneira, inserindo-o em seu dia-a-dia voltado aos jogos e às notícias sobre futebol. É claro que o retorno de Pat à casa dos pais acaba por mudar a rotina do casal, causando momentos de conflitos para toda a família. O irmão de Pat, Jake, não reside com a família, mas ele se mostra bastante amoroso e compreensivo com o tratamento de Pat.


Além desse cotidiano familiar, Pat restabelece contato com os amigos e, dentre eles, uma pessoa será muito importante no desenvolver de sua história: Tiffany. Ela é irmã da esposa de seu amigo, Ronnie, e também está passando por diversas dificuldades emocionais. A partir daí, Pat convive diariamente com Tiffany, surgindo uma relação de amizade bastante confusa e divertida.




E, de repente, Tiffany está me abraçando de modo que seu rosto está entre meus peitorais, e ela está chorando e enchendo de maquiagem minha camiseta nova de Hank Baskett. Não gosto de ser tocado por ninguém, exceto por Nikki, e realmente não quero que Tiffany manche a camiseta que meu irmão foi tão legal em me dar – uma camiseta com letras e números bordados de verdade –, mas me surpreendo ao ver que estou retribuindo o abraço dela. Descanso meu queixo em seu cabelo preto sedoso, sinto o cheiro de seu perfume e, de repente, também estou chorando, o que me assusta um bocado. (pág. 47)



A história é realmente encantadora e comovente. Pat mostra-nos, através de sua história e sua perspectiva de vida um pouco distorcida, um lado diferente sobre o tema da depressão e também sobre o amor. A batalha de Pat por sua sanidade mental é emocionante, principalmente porque ele tem esperança e não desiste de sua felicidade.




[caption id="attachment_1410" align="aligncenter" width="420"]lbdv À esquerda: a capa após o lançamento do filme, em 2012. À direita: capa e título originais do livro.[/caption]

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Título: O lado bom da vida
Autor: Mathew Quick
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2012
Tradução: Alexandre Raposo
Número de páginas: 256

[Resenha] A garota que eu quero - Markus Zusak

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014


Eu queria apenas ser tocado por uma garota, um dia. Queria que ela não me olhasse como se eu fosse um perdedor imundo, rasgado, meio risonho e meio carrancudo que tentava impressioná-la.



[caption id="attachment_1384" align="aligncenter" width="347"] A garota que eu quero (2013), de Markus Zusak.[/caption]

A garota que eu quero, de Markus Zusak – alguns já devem conhecê-lo pelo livro A menina que roubava livros que atualmente está sendo adaptado para o cinema – foi  um livro que  fiquei, de início, com receio de ler. Não é a primeira leitura que faço desse autor, o primeiro livro que li foi Eu sou o mensageiro – talvez ainda faça uma resenha dele aqui -, mas de um jeito impressionante, Zusak coloca magia em seus livros, algo que prende a atenção do leitor.


No começo da leitura (acho que até a página 8), confesso que quis parar de ler e achei que tinha posto dinheiro fora com o livro sendo que poderia ter comprado outro, mas depois fui me prendendo e não parei mais.



Nada vem fácil para um ser humano como eu.
Isto não é uma queixa.
É só uma verdade.

Conhecemos Cameron, nosso foco da leitura e nosso narrador. Ele vive um grande dilema com seu irmão Rube. Eles são bem diferentes um do outro: enquanto Rube teve muitas namoradas, praticamente uma por semana , Cameron ainda não teve nenhuma. Não é de agora que Cameron  (que a partir daqui irei chamar de Cam) invejou seu irmão e suas muitas garotas, mas ele é um garoto de muitos bons sentimentos. Na idade da puberdade ele pensa em romance, mas também pensa em somente ter uma mulher, até conhecer Octavia, a atual namorada do seu irmão Rube. Octavia é diferente de toda e qualquer garota que seu irmão levou para casa, ela é inteligente, linda, e cativante.


O enredo desenvolve-se a partir do dia a dia dos personagens. O mais cativante no livro é que o assunto principal não é o romance entre Octavia e Cam, e sim a irmandade entre ele e Rube. Apesar de Cam querer e se interessar muito pela ex-namorada do irmão, ele sempre pensa no seu irmão e em como isso pode se resolver. No decorrer da narrativa vemos o crescimento do nosso protagonista, seus medos se tornando banais e seu enfrentamento diante dos problemas. Acompanhamos, literalmente, a transformação de um menino em um homem.


A linguagem de Zusak é de uma sensibilidade indescritível. Posso dizer que ele é um escritor brilhante! Eu li duas obras deste autor e estou completamente fascinada pela forma com que ele consegue transformar palavras em sentimentos.


Após a leitura de  A garota que eu quero, descobri que a obra faz parte de uma trilogia.  O título, em inglês, chama-se When Dogs Cry e foi lançado na Austrália em 2001. Os anteriores que compõem a saga são The Underdog (1999) e Fighting Ruben Wolfe (2000).


No Brasil os dois primeiros livros Azarão e Bom de briga foram lançados pela editora Bertrand, mas por motivo que desconheço, esta não publicou o último volume, este, ficando a cargo da editora Intrínseca, que publicou apenas o último livro, no entanto, não se percebe que ele  é composto por outros dois livros antecedentes. A garota que eu quero pode ser lido isolado, porém, acredito que a leitura dos outros também deve valer a pena, visto que a escrita de Markus Zusak é inspiradora.


Recomendo A garota que eu quero a todas as pessoas, mas especialmente aquelas que gostam de um romance que não é "água com açúcar"!


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Título: A Garota que eu quero
Autor: Markus Zusak
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 176

Machado de Assis: 173 anos

sábado, 23 de junho de 2012


Assim são as páginas da vida,
como dizia meu filho quando fazia versos,
e acrescentava que as páginas vão
passando umas sobre as outras,
esquecidas apenas lidas.



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Na última quinta-feira, dia 21 de junho, um grande escritor da literatura brasileira completou 173 anos: Machado de Assis. Não poderíamos deixar de comentar sobre a vida e a obra dessa grande personalidade da literatura brasileira do século XIX. Normalmente apontado como o maior nome da literatura nacional, Machado de Assis escreveu praticamente textos de todos os gêneros literários: foi poeta, romancista, cronista, dramaturgo, contista, folhetinista, jornalista e crítico literário. Sua obra compreende 9 romances e peças teatrais, 200 contos, 5 coletâneas de poemas e sonetos além de mais de 600 crônicas.


É considerado o introdutor do Realismo no Brasil, com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas  (1881).


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[caption id="" align="aligncenter" width="245"] Machado de Assis aos 57 anos (1896)[/caption]

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Joaquim Maria Machado de Assis nasceu em 21 de junho de 1839 no Rio de Janeiro e aí morreu em 1908. Trabalhou como tipógrafo e revisor, tornando-se logo colaborador da imprensa da época. Teve uma infância pobre e sua ascensão artística é fruto de uma longa e séria dedicação. Casou-se em 1869 com Carolina Xavier de Novais, companheira que muito o estimulou na carreira literária. Foi também o primeiro presidente da Academia Brasileira de Letras, que ajudara a fundar em 1897.


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O romancista


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Machado de Assis estreou como romancista em 1872, publicando Ressurreição. Entre esse primeiro livro e o último, Memorial de Aires (1908), percebe-se uma lenta evolução que faz de sua obra uma das mais importantes de nossa literatura.


Seus quatro primeiros romances — Ressurreição (1872), A mão e a luva (1874), Helena (1876) e Iaiá Garcia (1878) — representam, por assim dizer, a primeira fase da produção de Machado de Assis. Embora estejam presentes traços românticos na representação das personagens e na estruturação do enredo, essas obras já revelam, ainda que timidamente, as características que marcarão a fase realista e madura do autor, como o interesse na análise psicológica das personagens, um certo humorismo, os monólogos interiores e os cortes na ordem linear das narrativas.


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Em Memórias póstumas de Brás Cubas (1881), que é uma espécie de divisor de águas na obra machadiana, e nos livros posteriores — Quincas Borba (1891), Dom Casmurro (1899), Esaú e Jacó (1904), Memorial de Aires (1908) — essas características predominarão, revelando o interesse cada vez maior de Machado de Assis em aprofundar a análise do comportamento humano.


Nessa análise, Machado vai além das aparências e procura atingir os motivos essenciais da conduta do homem, descobrindo neles o egoísmo, a luxúria, a vaidade. Por trás dos atos aparentemente bons e honestos, ele surpreende as intenções verdadeiras, o orgulho e a cobiça, desmascarando a hipocrisia humana.


Seu humor tinge-se, então, de pessimismo, de uma ironia amarga e cruel. A vida surge como um campo de batalha, onde os homens lutam e procuram destruir-se para gozar poucos momentos de prazer e satisfazer seus desejos de riqueza e ostentação. A natureza assiste ao drama humano com indiferença, e a religião não é senão uma máscara para encobrir o egoísmo dos indivíduos.


O enredo, a ação e o tempo da narrativa não têm uma seqüência linear, ficando subordinados ao interesse da análise. Os fatos só têm sentido em função da análise da consciência humana. A lógica da narrativa, é predominantemente interna.


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O contista


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Em termos de valor literário, o conto, no século XIX, atingiu seu ponto culminante com a obra de Machado de Assis. Alguns de seus contos podem ser colocados entre os melhores de toda a literatura em língua portuguesa e mesmo estrangeira.


Dotado de grande talento para a história curta, Machado de Assis escreveu inúmeros contos, muitos deles espalhados pelas diversas revistas e jornais em que colaborou. Apesar de algumas concessões feitas ao gosto do público a que se dirigia, grande parte de seus contos revela a preocupação em analisar o comportamento humano, procurando descobrir, por trás das ações, os mecanismos secretos e egoístas da alma humana.


Numa linguagem depurada, reduzida ao essencial, deixou contos primorosos, dentre os quais podemos lembrar: "A cartomante"; "O alienista"; "O enfermeiro"; "O espelho"; "Noite de almirante"; "A Igreja do Diabo"; "Uns braços"; "Singular ocorrência"; "Missa do galo"; "Um homem célebre"; "A causa secreta"; "Pai contra mãe".


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Outros gêneros


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Machado de Assis foi também um bom cronista. Sutil comentador de fatos e situações, fez da crônica um gênero literário de valor. De sua produção, destacam-se as crônicas que escreveu entre 1892 e 1897 para a Gazeta de Notícias, sob o título "A Semana".


Além disso, Machado de Assis dedicou-se à poesia, que também traz como marca principal o tom reflexivo que caracterizou sua obra. Alguns de seus poemas mais famosos são "Círculo vicioso", "Soneto de Natal", "Perguntas sem resposta" e "A Carolina".


O teatro foi outro ponto de interesse para Machado de Assis, principalmente na mocidade, embora suas peças não tenham o mesmo nível de seus contos e romances. Dentre as que escreveu, lembremos Quase ministro (1864) e Os deuses de casaca (1866).


Como crítico literário, escreveu alguns trabalhos importantes, que revelam um intelectual consciente do valor da crítica numa literatura nascente, mostrando-se aberto à compreensão das transformações e modificações que cada geração deve trazer à arte. Além de numerosos prefácios e ensaios, destacam-se de sua produção três estudos: Instinto de nacionalidade, A nova geração e O primo Basílio (este último a respeito do romance de Eçã de Queirós)."


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Texto adaptado da obra Estudos de Literatura Brasileira, de Douglas Tufano


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Eu poderia criar milhares de posts sobre Machado de Assis e mesmo assim não conseguiria transmitir de forma completa a riqueza de sua obra. Caso você tenha interesse de desvendar sua obra, existem muitos estudos sobre o autor publicados na internet. Listarei alguns sites interessantes:

Machado de Assis - Obra Completa: É resultado de uma parceria entre o Portal Domínio Público - a biblioteca digital do MEC - e o Núcleo de Pesquisa em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL), da Universidade Federal de Santa Catarina. O site possui o objetivo de fazer com que a obra machadiana chegue a qualquer usuário de internet, em edições confiáveis e gratuitas. Dá para fazer download da obra completa!


Machado de Assis.net: Diversos estudos sobre a obra machadiana.


Espaço Machado de Assis: Idealizado pela Academia Brasileira de Letras


Projeto Releituras: Biografia de Machado de Assis no site do Projeto Releituras


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Finalizo o post com um vídeo que gostei bastante e acredito ser um bom recurso para a sala de aula (já fica a dica!). Esse vídeo é da TV Escola e faz parte da coleção Mestres da Literatura. Vale a pena assistir!


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Espero que tenham gostado de (re)conhecer a vida desse grande escritor. Em breve, postarei mais informações sobre estudos sobre sua obra e também alguns contos que gosto muito.


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Beijinhos,


Ana Karina

Honoré de Balzac: 213 anos

domingo, 20 de maio de 2012

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Da maciez de uma esponja molhada até à dureza de uma pedra-pomes, existem infinitas nuances. Eis o homem.

Honoré de Balzac



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[caption id="" align="aligncenter" width="348"] Honoré de Balzac (1799 - 1850)[/caption]

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Honoré de Balzac nasceu em Tours, em 20 de maio de 1799. Foi um escritor francês, notável por suas observações psicológicas. É considerado o fundador do Realismo na literatura.


Balzac teve uma infância um tanto complicada. Nasceu e foi enviado a uma ama de leite. Após quatro anos, retorna para a sua casa, mas é mantido afastado de seus pais, sendo criado praticamente pela governanta. Essa situação era bastante comum nas famílias daquela época. Aos oito anos, Balzac foi enviado ao tradicional e rigoroso colégio oratoriano de Vendôme, local em que estudou durante sete anos. Diz-se que o menino teve sérias dificuldades de adaptação à rotina e à aprendizagem na escola, passando a maior parte do tempo sozinho, de castigo. Essas lembranças são transpostas para o seu romance Louis Lambert (1832), que narra a história de um menino que estuda em um colégio oratoriano em Vendôme.


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Devorava livros de qualquer espécie, alimentando-se indiscriminadamente de obras sobre religião, história e literatura, filosofia e física. Ele havia me dito que encontrava prazer indescritível ao ler dicionários, por falta de outros livros.


Louis Lambert, Honoré de Balzac



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Em 1814, sua família muda-se para Paris e Honoré estuda durante dois anos e meio com professores particulares. Em 1816, ingressa na Sorbonne (Universidade de Paris), onde tem aulas de história moderna, literatura francesa, literatura clássica e filosofia. Após os estudos, seu pai o convenceu a segui-lo no Direito. Trabalhou como estagiário no escritório de um amigo da família, Victor de Passes. Este, em 1819, pediu a Honoré de Balzac que o sucedesse nos negócios, mas ele negou, desistindo, então, da carreira de advogado. A partir daí, Balzac dedica-se à carreira literária.


O primeiro projeto foi um libreto para uma ópera cômica chamada Le Corsaire, baseado no The Corsair de Lord Byron. Percebendo, no entanto, que teria dificuldades em encontrar um compositor, voltou-se para outras atividades.


Em 1820, havia completado cinco atos da tragédia em versos, Cromwell. Quando terminada, seu revisor, um homem chamado Andrieux, ex-tutor de Eugène Surville, irmã de Balzac, escreveu no manuscrito: "O autor pode fazer tudo o que quiser, exceto literatura." Apesar desse comentário, Balzac continuou escrevendo. Publicou cerca de noventa romances e novelas, trinta contos e cinco peças de teatro. Foi o resultado surpreendente de uma dedicação de cerca de 15 horas diárias à tarefa de escrever.


Em 1821, Balzac conheceu o empreendedor Auguste Lepoitevin, que convenceu o jovem a escrever contos que mais tarde seriam vendidos por ele a editoras. Em seguida, Balzac focou-se em obras mais longas, e em 1826 já havia escrito nove romances, todos publicados sob pseudônimos.De 1825 a 1828, Balzac lança-se aos negócios, sempre na expectativa de enriquecer rapidamente: associa-se a um livreiro, torna-se proprietário de uma tipografia, transforma-se em editor.  Ao final desse período, interessa-se pela carreira política, abraçando opiniões católicas e monarquistas, fundando sua doutrina conservadora sobre a autoridade política e religiosa.


Depois de escrever diversas novelas, em 1842, Balzac concebeu a ideia para uma enorme série de livros que retratariam o panorama de "todos os aspectos da sociedade". No início tenha chamou o projeto de Etudes des Mœurs (Estudos de Boas Maneiras), mais tarde ganhou o nome de A Comédia Humana (La Comédie Humaine), e ele incluiu nesta coleção todas as ficções que ele havia publicado durante sua vida sob seu nome real. La Comédie Humaine  era o trabalho da vida de Balzac e também se tornou sua maior conquista.


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[caption id="" align="aligncenter" width="440"] Alguns romances que fazem parte de A Comédia Humana, de Honoré de Balzac[/caption]

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Paralelamente a esse trabalho gigantesco, Balzac leva uma vida mundana, frequentando os salões de Paris, realizando viagens e procurando em vão meios e medidas infalíveis de enriquecer, constante que o perseguirá durante toda a sua vida, com alternância de desastres e sucessos, e com a adoção de fugas ante o assédio dos credores.


Em janeiro de 1833 principia sua correspondência com a condessa Ewelina Hanska, uma admiradora polonesa, com quem se casaria anos depois, em 14 de maio de 1850, poucos meses antes de morrer.



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Mundo balzaquiano


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O fluxo criador de Balzac pode ser desdobrado em três etapas: a primeira, que se estende até 1829, é um período de aprendizado; a segunda, que abrange o período de 1834 a 1842, é um período de consolidação e de fixação do seu sistema novelístico; e a terceira, que abrange o desenvolvimento entre 1842 e 1850, em que o universo romanesco de Balzac é unificado sob o título geral de A Comédia humana.


Nesse plano de ininterrupto impulso criador, pode-se afirmar que a vida de Balzac esteve literalmente colocada a serviço das exigências técnicas de suas obras.


A criação do mundo balzaquiano obedece a uma progressiva diversificação de situações, de personagens, de caracteres, de destinos humanos - um retrato de amplas dimensões da sociedade francesa da primeira metade do século 19.


Por suas qualidades, pela amplitude da área social tratada, pela técnica de que se vale o autor para a liberação de forças psicológicas e sociais nos próprios caracteres que movimenta, temos de admitir que a história do romance no Ocidente se divide em duas metades: antes e depois de Balzac.


Fonte: Wikipedia e outros sites de pesquisa.


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Livros e estudos sobre Balzac (em inglês) você pode encontrar nesse site aqui e fazer download.


Caso você queira comprar alguns romances, a L&PM possui a Série Balzac por preços acessíveis. Acesse o site e confira.


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[caption id="" align="aligncenter" width="420"] escultura em homenagem a Honoré de Balzac, por Auguste Rodin[/caption]

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E você já leu alguma obra de Balzac? Acesse a lista completa das Obras de "A Comédia Humana" e leia alguma. Vale a pena. :)

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Beijinhos,


Ana Karina

José de Alencar: um ficcionista múltiplo

terça-feira, 1 de maio de 2012

Hoje estamos comemorando 183 anos do nascimento de José de Alencar. Quem já cursou o Ensino Médio (ou está cursando) com certeza já ouviu falar desse romancista brasileiro. Confesso que, quando eu estava na escola, eu achava a obra de Alencar um pouco maçante, achava que ele enrolava demais... No entanto, hoje, após estudar a literatura brasileira de forma mais aprofundada na faculdade e no mestrado, percebo a importância que esse escritor possui para a formação da nossa literatura.




[caption id="" align="aligncenter" width="270" caption="José Martiniano de Alencar (1829 -1877)"][/caption]

Alencar consolidou o romance brasileiro ao escrever movido por um sentimento de “missão patriótica”. Temos a nítida impressão de que durante sua carreira, ele quis senão descobrir a essência da nacionalidade. É por isso que seus romances tratam do indígena, do homem do interior, do homem da cidade. Alencar retrata os costumes de cada uma das regiões que ele procura descrever. Além disso, sua linguagem é de uma riqueza e de uma beleza que só transcrevendo um trecho como exemplo para poder compreender:




Além, muito além daquela serra, que ainda azula no horizonte, nasceu Iracema. Iracema, a virgem dos lábios de mel, que tinha os cabelos mais negros que as asas da graúna e mais longos que o talhe da palmeira. O favo da jati não era doce como o seu sorriso, nem a baunilha recendia no bosque como o teu hálito perfumado.


José de Alencar. Iracema.


™˜™˜™˜™˜


Vocabulário:


Graúna – ave de penas pretas.


Jati – abelha jataí, também chamada abelha mosquito.


Recender – exalar perfume.


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[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Iracema (1884), de José Maria de Medeiros.Obra inspirada no romance de José de Alencar."][/caption]

Vamos, então, saber um pouco mais sobre a vida deste escritor?

José Martiniano de Alencar nasceu em 1.º de maio de 1829, em Messejana, Ceará. Ele foi o fruto de uma da união entre o padre José Martiniano de Alencar e a prima Ana Josefina de Alencar. Essa paixão proibida resultou no abandono da batina pelo pai do escritor e na ida da família ao Rio de Janeiro onde o pai de José de Alencar assumira o cargo de senador em 1830. Quatro anos depois, a família retorna ao Ceará pois Martiniano fora nomeado governador do Estado.


Entre 1837-38, em companhia dos pais, viajou do Ceará à Bahia, pelo interior, e as impressões dessa viagem influenciariam mais tarde em sua obra de ficção. Transferiu-se com a família novamente para o Rio de Janeiro, onde frequentou o Colégio de Instrução Elementar. Em 1844 vai para São Paulo, onde permanece até 1850, terminando período preparatório e se matriculando na Faculdade de direito em 1846. Nessa época, o senador Alencar voltou ao Ceará pois estava muito doente, deixando o resto da família no Rio. José de Alencar resolve assistir o pai, viajando a sua terra natal. O reencontro com a paisagem cearense faz ressurgir as recordações de sua infância, fixando na memória do escritor o cenário do qual ele retrata em um dos seus romances mais importantes, Iracema, publicado em 1865.


Nesse período, surgiram os primeiros sintomas da tuberculose, doença que o acompanhará durante trinta anos. Em Como e por que sou romancista, Alencar afirma: “[...] a moléstia tocara-me com a sua mão descarnada...”.




[caption id="" align="aligncenter" width="452" caption="Monumento de Iracema, musa do romance indianista de José de Alencar. Um dos três dedicados à Iracema erigidos em Fortaleza."][/caption]

Transferiu-se para a Faculdade de Direito de Olinda. O pai, bem de saúde, logo voltava ao Rio, e Alencar, a São Paulo, onde terminaria o curso.


Sua formatura foi em 1850. No ano seguinte, Alencar já estava no Rio de Janeiro, trabalhando num escritório de advocacia. Começava o exercício da profissão que jamais abandonaria e que garantiria seu sustento. Afinal, como ele próprio assinalou, "não consta que alguém já vivesse, nesta abençoada terra, do produto de obras literárias''.


Passa a colaborar no Correio Mercantil, convidado por Francisco Otaviano de Almeida Rosa, seu colega de Faculdade, e a escrever para o Jornal do Commercio os folhetins que, em 1874, reuniu sob o título de Ao correr da pena. Redator-chefe do Diário do Rio de Janeiro em 1855. Filiado ao Partido Conservador, foi eleito várias vezes deputado geral pelo Ceará; de 1868 a 1870, foi ministro da Justiça. Não conseguiu realizar a ambição de ser senador, devendo contentar-se com o título do Conselho. Insatisfeito com a política, passou a dedicar-se exclusivamente à literatura.


A sua notoriedade começou com as Cartas sobre a Confederação dos Tamoios, publicadas em 1856, com o pseudônimo de Ig, no Diário do Rio de Janeiro, nas quais critica veementemente o poema épico de Domingos Gonçalves de Magalhães, favorito do Imperador e considerado então o chefe da literatura brasileira. Estabeleceu-se, entre ele e os amigos do poeta, apaixonada polêmica de que participou, sob pseudônimo, o próprio Pedro II. A crítica por ele feita ao poema denota o grau de seus estudos de teoria literária e suas concepções do que devia caracterizar a literatura brasileira, para a qual, a seu ver, era inadequado o gênero épico, incompatível à expressão dos sentimentos e anseios da gente americana e à forma de uma literatura nascente. Optou, ele próprio, pela ficção, por ser um gênero moderno e livre.


Ainda em 1856, publicou o seu primeiro romance conhecido: Cinco minutos. Em 1857, revelou-se um escritor mais maduro com a publicação, em folhetins, de O Guarani, que lhe granjeou grande popularidade. Daí para frente escreveu romances indianistas, urbanos, regionais, históricos, romances-poemas de natureza lendária, obras teatrais, poesias, crônicas, ensaios e polêmicas literárias, escritos políticos e estudos filológicos. A parte de ficção histórica, testemunho da sua busca de tema nacional para o romance, concretizou-se em duas direções: os romances de temas propriamente históricos e os de lendas indígenas. Por estes últimos, José de Alencar incorporou-se no movimento do indianismo na literatura brasileira do século XIX, em que a fórmula nacionalista consistia na apropriação da tradição indígena na ficção, a exemplo do que fez Gonçalves Dias na poesia. Em 1866, Machado de Assis, em artigo no Diário do Rio de Janeiro, elogiou calorosamente o romance Iracema, publicado no ano anterior. José de Alencar confessou a alegria que lhe proporcionou essa crítica em Como e porque sou romancista, onde apresentou também a sua doutrina estética e poética, dando um testemunho de quão consciente era a sua atitude em face do fenômeno literário. Machado de Assis sempre teve José de Alencar na mais alta conta e, ao fundar-se a Academia Brasileira de Letras, em 1897, escolheu-o como patrono de sua Cadeira.




[caption id="" align="aligncenter" width="442" caption="Casa de José de Alencar - Messejana, Ceará"][/caption]

Sua obra é da mais alta significação nas letras brasileiras, não só pela seriedade, ciência e consciência técnica e artesanal com que a escreveu, mas também pelas sugestões e soluções que ofereceu, facilitando a tarefa da nacionalização da literatura no Brasil e da consolidação do romance brasileiro, do qual foi o verdadeiro criador. Sendo a primeira figura das nossas letras, foi chamado o patriarca da literatura brasileira. Sua imensa obra causa admiração não só pela qualidade, como pelo volume, se considerarmos o pouco tempo que José de Alencar pôde dedicar-lhe numa vida curta. Faleceu no Rio de Janeiro, de tuberculose, aos 48 anos de idade.




[caption id="" align="aligncenter" width="550" caption="Teatro José de Alencar - Fortaleza, Ceará"][/caption]
OBRAS DO AUTOR

ROMANCE
Cinco minutos - 1856; O guarani; A viuvinha - 1857; Lucíola - 1862; Diva - 1864; Iracema; As minas de prata - l.º vol. - 1865; As minas de prata - 2.º vol. - 1866; O gaúcho; A pata da gazela - 1870; Guerra dos mascates - l.º vol. ; O tronco do ipê - 1871; Sonhos d'ouro; Til - 1872; Alfarrábios; Guerra dos mascates - 2º vol. -1873; Ubirajara - 1874; Senhora; O sertanejo - 1875; Encarnação - 1893


TEATRO
O crédito; Verso e reverso; Demônio familiar - 1857; As asas de um anjo - 1858; Mãe - 1860; A expiação - 1867 ; O jesuíta - 1875


CRÔNICA
Ao correr da pena - 1874


AUTOBIOGRAFIA INTELECTUAL
Como e porque sou romancista - 1893


CRÍTICA E POLÊMICA
Cartas sobre a confederação dos Tamoios- 1856; Ao imperador: Cartas políticas de Erasmo e Novas cartas políticas de Erasmo - 1865 ; Ao povo: Cartas políticas de Erasmo: O sistema representativo - 1866







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Ana Karina

12 de abril: aniversário de Raul Pompeia

sábado, 14 de abril de 2012

[caption id="" align="aligncenter" width="243" caption="o escritor Raul Pompéia"][/caption]

Raul Pompéia nasceu no dia 12 de abril de 1863 no vilarejo de Jacuecanga, município de Angra dos Reis, Rio de Janeiro. Era filho de Antônio D'Ávila Pompéia e de Rosa Teixeira Pompéia. Foi morar no Rio de Janeiro e estudar no internato do Colégio Abílio, dirigido pelo educador Abílio César Borges, o barão de Macaúbas.


O Colégio Abílio era conhecido como uma das melhores escolas da Corte por possuir a mais avançada pedagogia do Império. Esse colégio recebia alunos de todo o país, que eram instruídos de acordo com os princípios da classe dominante: Monarquismo, Catolicismo, escravismo, dentre outros. Foi ali que Raul Pompéia começou realmente sua vida, em meio a rígidas normas de conduta e hipocrisia. Essa vivência o marcou profundamente e inspirou sua obra mais importante, “O Ateneu”.




[caption id="" align="aligncenter" width="500" caption="Colégio Abílio, no Rio de Janeiro"][/caption]

Começou a escrever muito cedo, editando um jornalzinho que circulava no colégio. Através dele, ele criticava tanto professores como alunos. Na ocasião, ele estava empenhado em traduzir trechos do tratado de Charles Darwin, “A origem das espécies”.


Nessa época, Raul Pompéia já se revelava como um crítico impiedoso, e avesso à obediência cega. Por conta disso, foi transferido para o Imperial Colégio de D. Pedro II, um colégio só para a elite imperial. Em meio a alunos inteligentes e bem preparados, o jovem escritor pode aprimorar sua vocação para o jornalismo, a vida pública e a arte, interessando-se da mesma maneira pela oratória, desenho, escultura, música e literatura. No ano seguinte, 1880, publica seu primeiro romance: “Uma tragédia no Amazonas”.


No ano seguinte muda-se para São Paulo, onde vai cursar Direito na Faculdade do Largo de São Francisco, passando a participar na campanha abolicionista e defendendo a causa republicana. Publica em forma de folhetim o romance “As Jóias da Coroa”, obra explicitamente antimonarquista. Nesse mesmo ano publica também suas primeiras poesias do livro “Canções sem metro”. Juntamente com 90 colegas da faculdade, transfere-se para a cidade de Recife para concluir o curso de Direito, provavelmente em consequência da defesa dos ideais abolicionistas e republicanos. No entanto, Pompeia nunca exercera a advocacia.


Voltou para Rio de Janeiro, em 1885, e dedicou-se ao jornalismo, escrevendo crônicas, folhetins, artigos, contos e participando da vida boêmia das rodas intelectuais. Escreveu e publicou "O Ateneu", em formato de folhetim, na "Gazeta de Notícias", mas logo depois, já saiu em formato de livro em 8 de abril de 1888, consagrando-o definitivamente como escritor.




[caption id="" align="aligncenter" width="450" caption="O Ateneu (1888)"][/caption]

"O Ateneu" é um romance de cunho autobiográfico, narrado em primeira pessoa, contando o drama do menino Sérgio, que é colocado num internato para estudar e se educar. Pelo visto, o menino Pompéia passou mal no internato do barão de Macaúbas, e "se vinga", como diz Mário de Andrade, ao retratar um colégio semelhante sem esconder a dureza do pai, e as maldades dos colegas e do diretor. Culminando com a paixão do menino pela esposa do diretor e na destruição da escola pelo fogo.


Pompéia apresenta fortes características na linguagem, devido a seu talento de caricaturista. Seu vocabulário tem grande riqueza plástica e sonora. A princípio, a crítica o julgou pertencente ao Naturalismo, mas as qualidades artísticas mencionadas demonstram seu compromisso com o Simbolismo.


Depois da abolição, passou a dedicar-se à campanha republicana. Nesta época, colaborava em "A Rua" e no "Jornal do Commercio". Proclamada a República, em 1889, foi nomeado professor de mitologia da Escola de Belas Artes e, logo a seguir, diretor da Biblioteca Nacional.


Revelou-se um florianista exaltado, achando que seu militarismo constituía a defesa da pátria, em oposição aos intelectuais do seu grupo, como Pardal Mallet e Olavo Bilac. Com a morte de Floriano, em 1895, foi demitido da direção da Biblioteca Nacional, acusado de desacatar a pessoa do Presidente no explosivo discurso pronunciado em seu enterro.


Inquietante como escritor e como pessoa, o escritor envolveu-se em inúmeras polêmicas, inimizades e crises depressivas, chegando até a desafiar o poeta Olavo Bilac para um duelo. Afastado pelos amigos e caluniado nos meios jornalístico e intelectual, Raul Pompéia suicidou-se em 25 de dezembro de 1895, em plena noite de Natal, aos 32 anos, no Rio de Janeiro.


OBRAS DO AUTOR:


Romance:


Uma tragédia no Amazonas (1880); As Jóias da Coroa (1882); O Ateneu (1888).


Conto


Microscópicos (1881)


Poema em Prosa


Canções sem metro (1900)


Outros


Alma morta (1888); Prosas esparsas de Raul Pompéia (1920/21)





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