Mostrando postagens com marcador book. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador book. Mostrar todas as postagens

[Resenha] A menina que roubava livros - Markus Zusak

terça-feira, 4 de março de 2014

A menina que roubava livros, de Markus Zusak, é uma obra mundialmente conhecida. Foi publicada em 2005. No Brasil, dois anos depois, em 2007, pela editora Intrínseca. Eu comprei o livro em 2012 somente e o li em janeiro desse ano.


A leitura desse livro faz parte de um projeto pessoal e, também, do projeto Volta ao Mundo em 12 livros que falei nesse post aqui.


Confesso que li muito tempo depois da publicação porque, apesar de o livro já ter me conquistado pela capa, sou uma pessoa desconfiada. Eu realmente acreditava que era apenas mais um best-seller sem algo a acrescentar. No entanto, eu me enganei. Gostei tanto da leitura que penso em fazer um trabalho em sala de aula sobre a obra.




[caption id="attachment_1659" align="aligncenter" width="247"]a_menina_que_roubava_livros A menina que roubava livros, de Markus Zusak - Editora Intrínseca[/caption]

A narrativa passa-se na Alemanha nazista entre os anos de 1939 e 1943, em plena Segunda Guerra Mundial. O livro possui um pequeno prólogo em que conhecemos a narradora, a Morte, e a protagonista, Liesel Meminger. A Morte conta-nos já nessa introdução que encontrou Liesel três vezes e que nessas ocasiões a menina permaneceu viva e, por esse motivo, a “ceifadora de almas” resolveu contar sua história.


Liesel, assim como diversas pessoas nessa época, enfrentou diversos momentos difíceis decorrentes da guerra. A história de Liesel começa em um trem a caminho de Munique, local em que ela e seu irmão seriam entregues a pais de criação. O menino, porém, não sobreviveu à viagem, falecendo no caminho.




Quando a tosse parou, não restou outra coisa senão o nada da vida, seguindo em frente com um arrastar de pés, ou um espasmo quase silencioso. (página 23)



Durante o velório, um dos coveiros deixa cair um livro de seu bolso, “O Manual do Coveiro”, e Liesel abaixa-se para pegá-lo. Esse é o seu primeiro roubo e esta será uma atividade bastante presente na vida da menina. Após o ocorrido, Liesel, além de ter que superar o trauma da perda do irmão, separou-se da mãe já que esta entregou Liesel à adoção por motivos, inicialmente, não esclarecidos. A menina começa a viver com o casal Hubermann, na rua Himmel, em Molching, nos arredores de Munique.




. UMA TRADUÇÃO .
Himmel = Céu
(página 28)



Hans Hubermann é um senhor de meia idade que já passou por uma guerra. Possui o ofício de pintor de paredes e toca acordeão. É um homem muito bondoso, tranquilo, de olhar doce. Será um grande amigo de Liesel durante esse período na rua Himmel. Rosa Hubermann é uma mulher bastante difícil de conviver. Mal humorada, rabugenta e irritadiça, lava e passa roupa para cinco famílias, para complementar a renda dos Hubermann. Rosa amava Liesel, mas sua maneira de demonstrar era um tanto peculiar: chamava a menina de Saumensch (porca) a todo o momento e raramente sorria.


Conforme o tempo vai passando, Liesel acostuma-se a sua nova vida. Vai à escola diariamente, faz amizades, joga futebol e aprende a ler com seu pai Hans. A leitura será muito importante na vida de Liesel nesses quatro anos, sua sede de conhecimento fará com que ela estreite laços de amizade com Rudy Steiner, seu fiel amigo de todas as horas, inclusive dos pequenos furtos, com a esposa do prefeito.


Dentre os diversos acontecimentos na narrativa, acredito que um dos mais belos é a vinda de Max Vandenburg, um judeu, filho de um antigo amigo de Hans e que fica escondido por alguns meses no porão da casa dos Hubermann. O fato de acolherem Max fez-me pensar como muitos alemães eram contra o nazismo e tentavam auxiliar as pessoas como podiam. Não somente isso, muitos alemães submetiam-se ao nazismo por medo de serem perseguidos e mortos também. Em vários momentos aparece a insatisfação dos Hubermann em relação à política nazista e com certeza esconder Max foi uma transgressão e tanto.




- Liesel, se você falar com alguém sobre o homem que está lá em cima, estaremos todos muito encrencados.
(...)
- No mínimo, mamãe e eu seremos levados embora.
(...)
- Se você falar com alguém sobre esse homem...
Com a professora.
Com Rudy.
Não importava com quem.
O importante era que todos seriam passíveis de castigo.


- Para começar, pegarei cada um dos seus livros, todos eles, e porei fogo – disse o pai. Impassível. – Vou jogá-los no fogão ou na lareira – continuou. Certamente, agia como um tirano, mas era necessário. – Entendeu?
O susto cavou um buraco em Liesel, muito nítido, muito preciso.
Os olhos encheram-se de lágrimas.
- Sim, papai.
- Próxima. – Ele tinha que se manter duro, e precisou se esforçar para isso. – Tirarão você de mim. Você quer isso?
Agora Liesel chorava, aflita.
- Nein.
- Ótimo. – E aumentou o aperto nas mãos da menina. – Eles levarão aquele homem para longe daqui, e talvez mamãe e eu também, e nunca mais, nunca mais voltaremos. (página 182)



A narrativa é muito interessante. Primeiro porque é a Morte que está narrando, mostrando sua constante presença em tempos de guerra. Além disso, encontramos uma espécie de dicionário de palavras e ocasiões, fazendo uma relação com o aprendizado da escrita e da leitura por Liesel. Podemos dizer que, em uma época de tantas perdas, a palavra ganha força. É através da palavra que Liesel amadurece. É através da palavra que Liesel consola.




. A SITUAÇÃO DE HANS E .
ROSA HUBERMANN
Aflitiva como o quê.
Na verdade, assustadoramente aflitiva.
(página 179)



A escrita realizada por Max e Liesel também são fatos interessantes do livro, lembrando que muitas obras foram proibidas e queimadas na época. Escrever o que pensa e o que sente é um ato de extrema coragem. E, ainda, a forma de mostrar que se está vivo e possui esperança, no caso de Max.


A história é bastante extensa e é impossível contar em detalhes em uma resenha, até porque, perderia todo o encanto da leitura. A escrita de Markus Zusak mostra-nos muita sensibilidade e cuidado ao retratar uma época bastante triste da história da humanidade. Apesar disso, encontramos momentos muito divertidos na leitura como os jogos de futebol das crianças, o roubo de livros e alimentos, as corridas de Rudy.


Em contrapartida, há também as cenas muito tristes como os bombardeios e as caminhadas dos judeus aos campos de concentração. No entanto, Markus Zusak consegue nos fazer refletir, chorar, compreender e até superar esses acontecimentos infelizes através do contraste causado pela bondade, amizade e solidariedade entre os habitantes da rua Himmel.


Não vou mentir: chorei ao ler as últimas páginas. Eu sempre me emociono com a literatura que tem como pano de fundo a Segunda Guerra Mundial e acho que vale muito a pena ler A menina que roubava livros pois, mesmo sendo uma obra de ficção, faz o leitor perceber como é importante conhecer a história e aprender com ela.




[caption id="attachment_1661" align="aligncenter" width="496"]Cinemascope-Novo-cartaz-do-filme-A-Menina-que-Roubava-Livros A menina que roubava livros (2013) - Adaptação cinematográfica[/caption]

Não gosto de misturar em um mesmo texto livro e filme, mas a estreia é recente e achei necessário pelo menos mencionar. Em 2013, foi realizada uma adaptação cinematográfica da obra. Caso você queira saber um pouco sobre o filme também, assista ao trailer:


http://www.youtube.com/watch?v=J24AlOYHpVU

O filme é lindo também, mas eu realmente aconselho a leitura do livro.


.


Título: A menina que roubava livros
Autor: Markus Zusak
Número de páginas: 480
Ano de edição: 2010
Editora: Intrínseca
Tradução: Vera Ribeiro
Compre o livro: Livraria Cultura

[Resenha] O lado bom da vida - Matthew Quick

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014


Sim, eu realmente acredito no lado bom das coisas, principalmente porque eu o tenho visto quase todos os dias quando saio do porão, enfio a cabeça e os braços em um saco de lixo – de modo que meu torso fique embalado em plástico e eu sue mais – e então corro. (...)
Enquanto corro pelo parque, olho para cima e adivinho o que o dia tem a oferecer.
Se as nuvens estão bloqueando o sol, sempre tento ver aquela luz por trás delas, o lado bom das coisas, e me lembro de continuar tentando, porque eu sei que, embora as coisas possam parecer sombrias agora, minha esposa logo voltará para mim. (pág. 20)



O lado bom da vida (2012) é um desses livros que fiz o contrário: eu o li após assistir à adaptação cinematográfica da obra. Eu realmente não conhecia o escritor Mathew Quick, nunca tinha sequer escutado o seu nome. Aí que um dia eu me deparei com o título na livraria e o comprei.




[caption id="attachment_1409" align="aligncenter" width="401"]ladobom1_zps8e535169 O filme é estrelado por Bradley Cooper, como Pat, e Jennifer Lawrence, como Tiffany.[/caption]

A história é narrada por Pat Peoples, um homem por volta dos 30 anos, que ficou internado em uma instituição psiquiátrica e, após a sua mãe ter conseguido a liberação para terminar o tratamento em casa, Pat volta a morar com seus pais. O motivo da internação e o tempo em que ficou no “lugar ruim”, expressão usada pelo narrador para designar o hospital psiquiátrico, não são esclarecidos inicialmente no texto. Na verdade, Pat não lembra e é a tentativa de reconstruir sua vida, recompor sua memória e superar os seus problemas que o leitor acompanha no decorrer do romance.


A teoria de Pat é a de que a sua vida funciona como um filme produzido por Deus e o seu final feliz será a reconciliação com a sua esposa Nikki. A partir dessa ideia, Pat esforça-se para ver o mundo com outros olhos, em ver o que há de bom em todas as coisas, em ver o lado bom da vida.


Então, seguindo o seu raciocínio um pouco confuso devido às medicações e à nova percepção das coisas, Pat preocupa-se em melhorar fisicamente: ele é praticamente viciado em exercícios físicos, corre diariamente 17 quilômetros e faz dez horas de exercícios diários em equipamentos de ginástica dados por sua mãe; e mentalmente: começa a fazer a leitura obrigatória das obras das disciplinas ministradas por Nikki, professora de Literatura Norte-Americana. Pat acredita que, realizando todas essas atividades, será uma pessoa melhor e atrairá novamente a atenção da esposa, resultando no término do “tempo separados”.


Em meio a todas essas ocupações diárias, Pat relaciona-se com a sua família. Sua mãe, Jeanie, tenta compreender as dificuldades de seu filho e o ajuda comprando roupas, cozinhando seus pratos preferidos, levando-o à consulta semanal com o seu novo psiquiatra, dr. Cliff Patel.




Minha mãe assiste ao jogo nervosa, como sempre, porque ela sabe que, se os Eagles perderem, meu pai vai ficar de mau humor uma semana inteira e vai gritar muito com ela (...) Olho para meu pai de vez em quando, certificando-me de que ele me veja torcendo, porque sei que ele só está disposto a se sentar na mesma sala que o filho mentalmente perturbado se eu estiver torcendo pelos Birds com todas as minhas forças. Devo admitir que é bom estar sentado na mesma sala que meu pai (...) (pág. 68)



A relação de Pat com o seu pai é bastante complicada. O pai, Patrick, é um senhor de meia idade fanático pelo seu time de futebol americano, os Eagles, e bastante supersticioso. Patrick demora a conseguir realmente dialogar com Pat, provavelmente porque não sabe como agir nessas situações. É um homem simples, meio turrão, mas tenta auxiliar seu filho à sua maneira, inserindo-o em seu dia-a-dia voltado aos jogos e às notícias sobre futebol. É claro que o retorno de Pat à casa dos pais acaba por mudar a rotina do casal, causando momentos de conflitos para toda a família. O irmão de Pat, Jake, não reside com a família, mas ele se mostra bastante amoroso e compreensivo com o tratamento de Pat.


Além desse cotidiano familiar, Pat restabelece contato com os amigos e, dentre eles, uma pessoa será muito importante no desenvolver de sua história: Tiffany. Ela é irmã da esposa de seu amigo, Ronnie, e também está passando por diversas dificuldades emocionais. A partir daí, Pat convive diariamente com Tiffany, surgindo uma relação de amizade bastante confusa e divertida.




E, de repente, Tiffany está me abraçando de modo que seu rosto está entre meus peitorais, e ela está chorando e enchendo de maquiagem minha camiseta nova de Hank Baskett. Não gosto de ser tocado por ninguém, exceto por Nikki, e realmente não quero que Tiffany manche a camiseta que meu irmão foi tão legal em me dar – uma camiseta com letras e números bordados de verdade –, mas me surpreendo ao ver que estou retribuindo o abraço dela. Descanso meu queixo em seu cabelo preto sedoso, sinto o cheiro de seu perfume e, de repente, também estou chorando, o que me assusta um bocado. (pág. 47)



A história é realmente encantadora e comovente. Pat mostra-nos, através de sua história e sua perspectiva de vida um pouco distorcida, um lado diferente sobre o tema da depressão e também sobre o amor. A batalha de Pat por sua sanidade mental é emocionante, principalmente porque ele tem esperança e não desiste de sua felicidade.




[caption id="attachment_1410" align="aligncenter" width="420"]lbdv À esquerda: a capa após o lançamento do filme, em 2012. À direita: capa e título originais do livro.[/caption]

.

Título: O lado bom da vida
Autor: Mathew Quick
Editora: Intrínseca
Ano de publicação: 2012
Tradução: Alexandre Raposo
Número de páginas: 256

Os laços que nos unem à Turma da Mônica

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

06


.


Tenho 33 anos. Portanto, vivi minha infância nos anos 80 e, por influência de minha mãe e minha avó, cresci com a Turma da Mônica, de Maurício de Sousa. As histórias da baixinha, dentuça e sabichona foram meu primeiro contato com o mundo das HQs. Antes mesmo que os heróis Marvel e DC passassem a representar um papel importante no molde do meu caráter, assim como de todo e qualquer nerd que se preze, as revistas e desenhos animados em VHS da Turma estavam lá, estabelecendo as fundações para todo o universo de cultura pop que viria a seguir.





[caption id="attachment_1376" align="aligncenter" width="441"]04 Vitor e Lu Cafaggi[/caption]


E para os irmãos Vitor e Lu Cafaggi, de Belo Horizonte, os personagens e histórias do Maurício tiveram a mesma importância e o casal de irmãos prova isso na graphic novel Turma da Mônica: Laços. Lançada recentemente pela editora Panini como parte de uma nova empreitada do pai da Turminha: releituras de seus personagens pela visão de outros artistas. Já saíram versões do Astronauta, Chico Bento e há outros no forno, como Penadinho, Piteco e inclusive mais uma revista da Turma pelos irmãos Cafaggi.


Tudo começou quando Vitor teve uma história sua, em que reinventava o Chico Bento, publicada no álbum MSP50, que comemorava os 50 anos de carreira do Maurício, trazendo versões de diversos artistas para seus personagens. Maurício gostou tanto da arte de Vitor, de 35 anos, que disse até querer "casar com ele" e o convidou para que, junto com sua irmã Lu, 10 anos mais jovem, recriassem a clássica turminha e o resultado tem tantos adjetivos que eu precisaria de muito tempo para colocá-los aqui.


.




[caption id="attachment_1379" align="aligncenter" width="309"]03 A Turma da Mônica[/caption]

.


A dupla de irmãos mineiros usou a Turminha para contar uma história linda sobre amizade e os laços que nos unem, como o próprio título sugere. “Laços”, palavra que está presente em diversos momentos da história e cuja variedade de significados é explorada de forma bem criativa, apresenta como trama o sumiço de Floquinho, o cãozinho do Cebolinha. Depois de esperar, sem sucesso, que seu pai o encontrasse, ele resolve criar um de seus “planos infalíveis” e, acompanhado de seus 3 melhores amigos, embarca em uma aventura além dos limites do bairro do Limoeiro (cenário de todas as histórias da Turma da Mônica), uma jornada emocionante que lembra muito filmes como Conta Comigo (Stand By Me, 1986), em que o companheirismo e a ligação de amor entre aqueles personagens é a chave de tudo e é tornada evidente de maneira engraçada, leve, divertida, sem pressão alguma. É impressionante o quanto fica na cara que, para Vitor e Lu Cafaggi, reinventar a Turma da Mônica foi realmente, como o próprio Maurício de Sousa citou, “apenas como brincar com amigos que os acompanharam desde a infância”.



02


.


Turma da Mônica: Laços é uma verdadeira obra de arte! O carinho que os irmãos Cafaggi têm pela obra de Maurício de Sousa transparece e transborda em cada detalhe de cada página da graphic novel. Está no traço singular e maravilhoso do desenho (Vitor os desenha com 7 anos de idade e Lu os faz mais bebês), que mostra a preocupação em tornar claras certas características que originalmente eram apenas implícitas: Mônica é realmente mais baixinha que o resto e bem gorduchinha, com pernas grossas e cara de emburrada, enquanto Magali, que aparece comendo o tempo todo, é bem magrinha. Cebolinha tem apenas 5 fios de cabelo, bem compridos, que caem por seu rosto e se movimentam de maneira bem realista e Cascão, que evita banhos de maneira sobrenatural, tem cara de criança “arteira”. Está no estudo minucioso de figurino, cenários e cores, que remetem aos anos 80 e, consequentemente, à infância de quem cresceu com esses personagens. Está no uso de flashbacks lindíssimos, que dão substância e tornam crível a relação de amizade entre eles. Está também nas homenagens e referências inseridas ao longo da história. Muito embora a trama gire em torno dos quatro mais populares personagens, Vitor e Lu inserem tantos outros aqui e ali. Titi e Aninha, Maria Cascuda, Denise, Xaveco e sua irmã Xabéu, e até a Turma da Rua de Trás fazem participações especiais. Mas o que encheu meus olhos de brilho foram as referências. Desde clássicos como Peter Pan, até coisas mais cult como The Warriors – Os Selvagens da Noite (The Warriors, 1979) e brincadeiras com a própria mitologia da Turma da Mônica. Uma explicação para o curioso fato de apenas o Cebolinha usar sapatos, a aparição de uma certa fantasia de ratinha rosa ou uma cor de vestido diferente para Magali estabelecem – com o perdão do trocadilho – laços com o universo criado por Maurício e são capazes de fazer fãs como eu dar risada, suspirar e até pular no sofá gritando “Meeeu!!! Caraaaaamba, que massa!!!” pela simples razão de terem captado as referências que, certamente, foram colocadas lá de fã para fã.