Augusto dos Anjos: um poeta original

segunda-feira, 23 de abril de 2012

[caption id="" align="aligncenter" width="232" caption="Augusto dos Anjos (1884-1914)"][/caption]

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em Engenho Pau d’Arco, atualmente município de Sapé, em 1884 na Paraíba. Foi educado inicialmente por seu pai e estudou no Liceu Paraibano, local em que viria a ser professor no ano de 1908.


Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1907.


Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu em 12 de novembro de 1914, às 4 horas da madrugada, aos 30 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, local em que atuava como diretor de um grupo escolar. A causa de sua morte foi a pneumonia.



Augusto dos Anjos é considerado um poeta de transição, já que sua poesia não era moderna, mas também não tinha características simplesmente parnasianas ou simbolistas. Sua obra reflete a superação das velhas concepções poéticas e a procura de um novo caminho.


Ele utilizou, em sua poesia, o vocabulário das ciências biológicas para falar da morte, da decomposição da matéria, dos vermes, expressando uma visão trágica da existência.


Jogando admiravelmente com palavras estranhas e inusitadas em poesia, o que à primeira vista choca o leitor, Augusto dos Anjos conseguiu criar grandes efeitos rítmicos e sonoros, uma das causas da atração que sua obra exerce sobre nossa sensibilidade.


Sua obra poética está reunida no livro Eu (1912).




[caption id="" align="aligncenter" width="270" caption=""Eu e Outras poesias", de Augusto dos Anjos"][/caption]

Leia alguns poemas de Augusto dos Anjos:
Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.

Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.

Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,

Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!

Esse aqui eu AMO:



VERSOS ÍNTIMOS

Vês?!  Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável! 


Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera. 


Toma um fósforo.  Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja. 


Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

 

Para conhecer um pouco mais da obra do autor, acesse o perfil dele no Jornal de Poesia.

Boa leitura!!!
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