Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos nasceu em Engenho Pau d’Arco, atualmente município de Sapé, em 1884 na Paraíba. Foi educado inicialmente por seu pai e estudou no Liceu Paraibano, local em que viria a ser professor no ano de 1908.
Em 1903, ingressou no curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife, formando-se em 1907.
Dedicou-se ao magistério, transferindo-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor em vários estabelecimentos de ensino. Faleceu em 12 de novembro de 1914, às 4 horas da madrugada, aos 30 anos, em Leopoldina, Minas Gerais, local em que atuava como diretor de um grupo escolar. A causa de sua morte foi a pneumonia.
Augusto dos Anjos é considerado um poeta de transição, já que sua poesia não era moderna, mas também não tinha características simplesmente parnasianas ou simbolistas. Sua obra reflete a superação das velhas concepções poéticas e a procura de um novo caminho.
Ele utilizou, em sua poesia, o vocabulário das ciências biológicas para falar da morte, da decomposição da matéria, dos vermes, expressando uma visão trágica da existência.
Jogando admiravelmente com palavras estranhas e inusitadas em poesia, o que à primeira vista choca o leitor, Augusto dos Anjos conseguiu criar grandes efeitos rítmicos e sonoros, uma das causas da atração que sua obra exerce sobre nossa sensibilidade.
Sua obra poética está reunida no livro Eu (1912).
[caption id="" align="aligncenter" width="270" caption=""Eu e Outras poesias", de Augusto dos Anjos"]
Leia alguns poemas de Augusto dos Anjos:
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
Esse aqui eu AMO:
VERSOS ÍNTIMOS
Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Para conhecer um pouco mais da obra do autor, acesse o perfil dele no Jornal de Poesia.
Boa leitura!!!
2 comentários via Blogger
Amei Versos Intimos.
ResponderExcluirEsse é o poema que mais gosto dele, Bruna!! Que bom que tenhas gostado também! :)
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